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12.10.11
Por que a civilização não há de entrar em colapso
(texto atribuído a ALBERT EINSTEIN*)
O otimista afirma a vida, o pessimista a nega. O pessimista, com toda a sua negação, agarra-se, como uma regra geral, ao doce hábito de viver. Cada homem, em um momento ou outro, acaba se fazendo a imortal pergunta de Hamlet: "Ser ou não ser?" E, se acaba. decidindo que ser é, de maneira geral, é preferível a não ser, é um otimista, ainda que goste de citar Schopenhauer ou o adágio bíblico de que tudo não passa de vaidade.
Eu sou um otimista.
Afirmo a vida porque, seja qual tenha sido o destino dos sóis e dos universos em dissolução, existe uma coisa que chamamos progresso e evolução no ciclo das espécies humanas, por mais breve que seja sua existência, medida em termos astronômicos.
Sou um otimista apesar da Depressão, da Fome, da Insatisfação e do Renascimento do Militarismo, os Quatro Cavaleiros do Novo Apocalipse que cavalgam na sangrenta trilha da Guerra Mundial.
Sou um otimista apesar da supressão em âmbito mundial, dos direitos humanos, que se seguiu à ambiciosa tentativa de tornar o mundo seguro para a democracia. O que caracteriza época em que vivemos é a batalha do indivíduo para se afirmar. Homem nenhum consegue encontrar-se com a sua própria alma se não atinge o equilíbrio entre o mesmo e a sociedade que o cerca.
Quando meditamos sobre a nossa vida e nossas esperanças temos, quase invariavelmente, de encarar a descoberta de que quase todas as nossas realizações e empreendimentos estão intimamente entrelaçados com a existência dos outros. Notamos até que ponto nos parecemos com outros animais que vivem em comunidades coletivas. Os alimentos que comemos são preparados e trazidos à nossa mesa por nossos companheiros. As próprias roupas que usamos são tecidas e costuradas por outros. Mãos alheias constroem os abrigos a que damos o nome de lar ou de local de trabalho.
Nossos conhecimentos e crenças, em sua maior parte, são uma herança. São-nos quase que inteiramente transmitidas pelos outros. Outros vêm criando, há muito tempo, os meios pelos quais a compreensão chega a nossos cérebros. Sem a fala, nossos cofres mentais ficariam totalmente vazios! Sem ela, o nosso horizonte intelectual não iria além do de um elefante ou de um macaco. A linguagem cria a irmandade dos homens. É esse dom, a capacidade de transmitir para os outros idéias e emoções complexas, que diferencia o bípede humano de seus parentes zoológicos.
Inteiramente abandonado a si próprio, o homem ‚ mais indefeso do que os animais. Tente imaginar um bebê abandonado para crescer absolutamente sozinho, desde que nasce. O primitivismo abismal dessa criatura escapa à nossa imaginação.
o que significa tudo isso?
Isso demonstra a nossa dependência de nossos semelhantes.
Não importa a grandeza ou a distinção dos dons ou potencialidades de um homem, ele é distinto ou grandioso apenas em referência a seu grupo. Um indivíduo não é significativo enquanto indivíduo e sim como membro de uma família humana. A sociedade é a força que dirige os seus fins materiais e espirituais do nascimento à morte.
Isso nos dá uma medida pela qual podemos avaliar os méritos de cada homem. Seu valor depende primariamente do grau em que as suas emoções, pensamentos e ações se dirigem para enriquecer a vida de seus semelhantes. Bem e mal não são termos absolutos: aplicados ao valor ou ao caráter de um homem, dependem de sua posição ou de sua atitude no relacionamento com o grupo. É como se os atributos sociais de um homem fossem os únicos fatores sobre os quais repousam a sua posição relativa na escala da humanidade.
No entanto, essa conclusão é errônea. Ela não é coerente com a história da humanidade. Pois se o indivíduo depende da sociedade, a sociedade, por sua vez‚ é nutrida pelas riquezas de cada alma individual. É evidente que todos os bens materiais, espirituais e morais que recebemos da sociedade que nos cerca vieram a ela a partir de forças individuais, sempre acumulando, sempre crescendo, ao longo de inúmeras gerações. Toda civilização e toda cultura nasce das raízes do individualismo criativo.
Não foi a sociedade, mas um indivíduo quem primeiro tirou fogo de uma pedra. Alguns indivíduos foram os responsáveis pela idéia de retirar alimentos do solo, plantando-os. Outros indivíduos foram os primeiros a conceber a máquina a vapor ou o filamento da lâmpada que nos ilumina.
Só o indivíduo pode pensar e, pensando, criar novos valores para o mundo. Só o indivíduo pode estabelecer novos padrões morais que mostram o caminho para as gerações vindouras. Sem personalidades decisivas, pensando e criando de forma independente o progresso humano é inconcebível.
A saúde da da sociedade depende menos da integridade de cada indivíduo do que dos laços sociais que unem o indivíduo a seu grupo. Mas o indivíduo não pode crescer sem o apoio de uma comunidade cooperativa. As culturas greco-européia e americana floresceram a partir da semente da realização individual. O florescimento cultural da Renascença, em especial, tirou a sua força quase inteiramente do relativo isolamento dos indivíduos.
O que é que isso significa para nós?
Vamos dar uma olhada no tempo em que vivemos. Qual é a do indivíduo?
A população das áreas onde o nosso tipo especial de civilização prevalece, cresceu enormemente. A população da Europa, sozinha, triplicou em um século. Na América, a taxa de crescimento foi ainda mais prodigiosas. Mas o número de lideres independentes, de criadores e pensadores decresceu na proporção inversa. Há poucos indivíduos, hoje, que se ergam acima da multidão. Os poucos que se destacam devem essa distinção principalmente a uma realização produtiva. No mundo que nos cerca, a organização tomou o lugar da liderança individual. Isso é particularmente verdade no domínio das realizações técnicas. É verdade, também, num grau espantoso, no domínio das ciências.
A falta de grandes individualidades no domínio das artes mostra-se com dolorosa clareza. A pintura e a música, em especial, degeneraram. A política, também está falida. Não só não existem mais grandes líderes políticos, como também o cidadão individual sofreu um declínio quase universal em termos de confiabilidade e senso de justiça. E, no entanto, a confiabilidade espiritual e um agudo senso de justiça por parte dos indivíduos, são os dois pilares sobre os quais repousa a estrutura democrática. Sem eles, os sistemas parlamentares não funcionam. Porque o indivíduo perdeu essas duas virtudes cívicas primárias, a democracia e seus sistemas parlamentares estão funcionando mal. Porque o indivíduo perdeu essas duas virtudes cívicas primárias, a democracia e seus parlamentos estão vacilantes em muitos países. Por toda a parte erguem-se as ditaduras e elas são toleradas porque o senso de dignidade e de direitos individuais já não está mais vivo de forma suficientemente vibrante.
Às massas, por toda a parte, falta a capacidade de julgamento político independente. Pode-se levar o povo de qualquer país, no espaço de duas semanas, a um tal graus de ódio e histeria que seus membros individuais estão prontos para matar ou ser mortos, em armadilhas militares, por qualquer motivo, sem que se leve em conta o seu mérito especial. A propaganda cria o serviço militar compulsório ou a servidão militar compulsória. Na minha opinião, o sintoma mais vergonhoso da falta de dignidade pessoal de que a nosso mundo civilizado sofre hoje é a forma como ele se submete às pressões do serviço militar compulsório de qualquer tipo. Em vista desses fenômenos perturbadores não faltam profetas que proclamam o colapso iminente da civilização ocidental. Não me alinho com esses pessimistas. Tudo .indica o contrário. Acredito num futuro melhor e deixem que resuma rapidamente as razões que tenho para estar convencido disso.
A humanidade está sofrendo não porque tenha deixado de progredir, mas porque progrediu depressa demais.
Atribuo as manifestações atuais de desintegração ao fato de que o crescimento da indústria e do maquinário tornou mais aguda a batalha pela existência a um ponto tal que ela se torna um obstáculo ao livre desenvolvimento do indivíduo. Aos líderes em potencial faz falta o tempo livre de que precisam para crescer. O desenvolvimento das máquinas deveria ter produzido o efeito oposto. Deveria ter diminuído a exigência de que o indivíduo trabalhe mais para atender à demanda da comunidade. Mas o mundo não se adaptou a essas mudanças como resultado, o desemprego e a inquietação social espreitam por toda parte, num mundo instável. A humanidade está começando a se dar com de que uma de suas tarefas mais urgentes é a reorganização do trabalho.
Assim que tivermos realizado essa redistribuição, poderemos reajustar as nossas vidas garantindo a cada indivíduo segurança material e lazer. Reavivadas por um novo senso de segurança e de liberdade, as energias que agora estão sendo reprimidas serão liberadas nas almas dos indivíduos. Seremos uma vez mais capazes de desenvolver grandes personalidades, capazes de enriquecer a nossa vida cultural. Extraindo uma força nova das individualidades, a humanidade há de readquirir o seu equilíbrio espiritual e sua saúde espiritual. A própria intensidade de nossos distúrbios indica a determinação com que tanto indivíduo quanto o organismo social querem se ver livres desse sofrimento.
Os historiadores futuros hão de compreender a crise que se apossado mundo de hoje como um sintoma de uma doença social provocada apenas pelo ritmo rápido demais de nossa civilização. A humanidade, curando-se dessa doença infantil, há de conseguir ir para a frente e para cima na consecussão de seus objetivos.
*O físico alemão Albert Einstein, formulador da teoria da relatividade, escreveu este artigo em 1933 para a Liberty Magazine/HP Singer Features, três anos depois de sua transferência para ao Estados Unidos.
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Atividade: Grife os pontos que o autor estabelece uma relação ou proposição ética.
31.10.08
Super Nanny
Super Nanny te faz refletir como a mim? Independentemente de qual tenha sido a origem deste programa, a questão do educar é posta à prova. De pais e filhos. Melhor: de pais capitalizados e filhos capitalizados. Sim! A questão nunca gira em torno da falta de dinheiro, das condições escolares, de política, economia ou algo que o valha, mas na falta de tempo dos pais para com os filhos. Basicamente! O que resulta na falta de atenção. Basicamente! Até que chega a hora e a vez da indisciplina infantil. Basicamente! E não há dinheiro que dê conta, basicamente! É quando entra a figura da babá, super, com suas dicas valiosas:
- pai, brinque com seu filho.
- mãe, imponha limites.
- programem passeios.
- tenham paciência, mostrem caminhos.
- digam o que é certo e o que é errado.
- faça-os entender: a casa, a rua, a escola, o bairro, o mundo.
Mas está aí um sistema de um capital feito para questionar. Enquanto pais, mães e sociedade se anulam para produzir e consumir, crianças ficam à deriva. E o mercado foi esperto. Com pais e mães ausentes, as redes de proteção em janelas e sacadas passam a ser um bom negócio. O nicho cresce: tapa tomada, protetor de quina, trancas para portas e gavetas, protetor de fogão, babá eletrônica e companhia. É que crianças à deriva precisam mesmo de muita tecnologia: computadores e videogames para afastá-las dos perigos das ruas, celulares com GPS para a localização exata do rebento em caso de seqüestro.
Se o futebol quebrava vidraças em tempos idos, e era só confiscar a bola, hoje fica-se em casa. Resolvido o problema das vidraças, das janelas, das sacadas, das tomadas, das quinas das mesas, das portas, das gavetas, dos fogões, dos computadores, dos videogames, dos celulares, dos pais e das mães esquecidos dos filhos. De ensiná-los, de guiá-los, de educá-los física, moral e sociologicamente.
Mas até pra isso o capital deu conta: ligue pra Super Nanny, consuma Super Nanny. A parte boa é que no fundo do baú Mary Poppins da moçoila, os livros e a literatura infantil.
- pai, brinque com seu filho.
- mãe, imponha limites.
- programem passeios.
- tenham paciência, mostrem caminhos.
- digam o que é certo e o que é errado.
- faça-os entender: a casa, a rua, a escola, o bairro, o mundo.
Mas está aí um sistema de um capital feito para questionar. Enquanto pais, mães e sociedade se anulam para produzir e consumir, crianças ficam à deriva. E o mercado foi esperto. Com pais e mães ausentes, as redes de proteção em janelas e sacadas passam a ser um bom negócio. O nicho cresce: tapa tomada, protetor de quina, trancas para portas e gavetas, protetor de fogão, babá eletrônica e companhia. É que crianças à deriva precisam mesmo de muita tecnologia: computadores e videogames para afastá-las dos perigos das ruas, celulares com GPS para a localização exata do rebento em caso de seqüestro.
Se o futebol quebrava vidraças em tempos idos, e era só confiscar a bola, hoje fica-se em casa. Resolvido o problema das vidraças, das janelas, das sacadas, das tomadas, das quinas das mesas, das portas, das gavetas, dos fogões, dos computadores, dos videogames, dos celulares, dos pais e das mães esquecidos dos filhos. De ensiná-los, de guiá-los, de educá-los física, moral e sociologicamente.
Mas até pra isso o capital deu conta: ligue pra Super Nanny, consuma Super Nanny. A parte boa é que no fundo do baú Mary Poppins da moçoila, os livros e a literatura infantil.
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Analisando o comentário da autora acerca das atitudes dos pais em relação aos filhos, nesta atualidade capitalista, qual você entende ser o ponto central do desencontro familiar: a sociedade capitalista em si ou uma desarmonia nas relações humanas?
Desenvolva seu argumento dando exemplos.
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Vamos refletir?
17.9.08
A história das coisas
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Assista ao vídeo e faça uma resenha crítica, apontando soluções que VOCÊ poderia tomar a curto, médio e longo prazo.
Cite ainda algumas políticas governamentais que você julga importantes, a partir do conteúdo explanado sobre "A hitória das coisas".
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Veja aqui o site sobre o documentário
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Vamos refletir?,
vídeo
13.9.08
Abaixo o hábito de ler
A escola da minha filha tem um programa de leitura chamado ciranda do livro. O objetivo é que cada criança pegue uma obra para ler no fim de semana e faça, na apostila encadernada em espiral, uma atividade pré-determinada (desenhar uma passagem, escolher um personagem favorito, ilustrar a idéia principal, fazer um breve resumo etc.).
Imagino que nem todos os alunos façam a tarefa de bom grado. No início a escola tentou uma competição: a criança que pegasse mais livros na biblioteca ganharia um prêmio ao término do período X. Minha filha logo chiou: “mamãe, assim não vale. Tá muito chata essa história de quem lê mais. Tem gente que só pega livrinho fininho e com muita figura pra ler rápido e pegar outro. Eu que escolhi pelo título, por que achei interessante a história, vou perder. O meu livro é muito mais grosso que os outros!”, choramingou.
Tinha ela razão. Vencer a competição era o objetivo das crianças sob o pretexto da escola de formar o hábito da leitura e quiçá cidadãos do futuro. Nesse meio tempo, crítica daqui, chororô acolá, ficou difícil para a professora lidar com a manobra “pedagógica”, deslindada pela pequena estudante.
Imagino que nem todos os alunos façam a tarefa de bom grado. No início a escola tentou uma competição: a criança que pegasse mais livros na biblioteca ganharia um prêmio ao término do período X. Minha filha logo chiou: “mamãe, assim não vale. Tá muito chata essa história de quem lê mais. Tem gente que só pega livrinho fininho e com muita figura pra ler rápido e pegar outro. Eu que escolhi pelo título, por que achei interessante a história, vou perder. O meu livro é muito mais grosso que os outros!”, choramingou.
Tinha ela razão. Vencer a competição era o objetivo das crianças sob o pretexto da escola de formar o hábito da leitura e quiçá cidadãos do futuro. Nesse meio tempo, crítica daqui, chororô acolá, ficou difícil para a professora lidar com a manobra “pedagógica”, deslindada pela pequena estudante.

O projeto competitivo saiu de cena e a apostila em espiral continuou seu trajeto, às sextas-feiras, mochila adentro; só que agora sem a pressão de se ser o primeiro lugar no ranking de “leituras lidas”. Algumas crianças ficaram aliviadas. Alguns pais também. Ufa!
Chegado o dia de mais uma escolha, minha menina, que se chama Ana (Luísa) optou por pegar um livro chamado Ana e Ana, segundo as palavras dela “achei pela capa que podia ser interessante”. E era. Aliás, é!
O livro de Célia Godoy, ilustrado divinamente por Fé, narra a história das gêmeas Ana Carolina e Ana Beatriz, que idênticas na aparência tentavam se distinguir por cores, roupas, adereços, ainda que “por dentro” fossem bem diferentes nos gostos e afinidades com o mundo. Cresceram e cada uma tomou um rumo, até que...
Até que eu parei para pensar se a leitura é um “hábito-ato” possível de se formar em alguém. Sendo professora há algum tempo e exatamente na área de produção de textos, leitura e interpretação, recordei das principais dificuldades e justificativas dos meus alunos quando perguntados sobre o tal, difundido, alardeado: hábito de ler!
Em geral, se apontam desconcentração, sono, preguiça, falta de exemplos familiares, ausência de livros em casa, dificuldade de entendimento, cansaço, visão embaralhada, e, principalmente, falta de tempo! Questionados sobre este último item, respondem: “ah, professora tem muita coisa melhor a fazer do que ler, como ver TV, praticar esportes, sexo, passear, navegar pela internet...”.
“– Mas céus! Vocês não gostam de ler nada?”, re-interrogo.
“– Também não é assim. A gente lê sobre o que gosta ou sobre o que precisa”.
Se tempo é uma questão de prioridade, e nele a gente ocupa primeiro o que dá prazer ou necessita, aonde entra o esforço pedagógico de formar o hábito de ler? Creio que na vala comum.
Diz o companheiro Houaiss que hábito é “maneira usual de ser, fazer, sentir, individual ou coletivamente; costume, regra, modo, maneira permanente ou freqüente, regular ou esperada de agir, sentir, comportar-se; mania”.
Ora, formar o hábito de ler para quê?
Em certa medida, quem tem uma formação escolar considerada razoável (sei lá o que isso significa) lê o que lhe atrai. Jornais, almanaques, cadernos de esporte, revistas semanais, publicações de fofocas etc, estão pelas esquinas e bem amassadas, indicando que mãos e olhos passaram por ali.
E daí?
Nada!
O hábito de ler, melhor formulando, a prática de ler não significa em essência nada. O costume de ler pode ser um desábito de adquirir conhecimento. Entrar no piloto automático da leitura não traz por si só transformação.
Se ler é um dos caminhos para se chegar ao conhecimento de determinado fenômeno, idéia, verdade, ler por ler é no máximo chegar à aquisição de dados brutos e informações superficiais, massificadas, deglutidas por seus autores para todos.
Hoje deveríamos por em pauta, conclamar, não o desgastado hábito de ler, mas sim o hábito de pensar, o hábito de querer saber, o hábito de ser curioso. Se os próprios considerados – pelos professores – não-leitores admitem ler o que lhes interessa, óbvio seria despertar antes a vontade de conhecer. Ler, por hábito, deveria deixar de ser regra de conduta apregoada pelas escolas. Transformar o pensamento e ampliá-lo por desejo, deveria ser a etiqueta.
Ler é mera conseqüência. A causa é querer sair do lugar-comum, voar sem tirar o pé do chão, pensar para existir... Meu hábito maior é “Ser” e por isso eu leio muito. Dessa forma, vou me desabituando de mim para me habituar às minhas releituras...
(Tirinha criada especialmente para este texto por minha amiga Creisi - veja outras tirinhas aqui)___________________________________________
Elabore exemplos de como atividades educativas podem surtir efeitos contrários ao desejado.
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Vamos refletir?
13.10.06
Senso crítico X produtividade/progresso X excesso
Texto: Do direito à memoria, de Roberto Massei. Leia aqui na íntegra...
“A modernidade transformou o homem em um ser insensível e sem memória; desproveu-o, inclusive, da capacidade de ter uma preocupação com ela. Na Era da Informação o receptor da comunicação de massa é, na verdade, um ser desmemoriado. Recebe um excesso de informações que saturam sua forma de conhecer o mundo; incham-no, pois não há lenta mastigação e assimilação daquilo que é transmitido pela mídia”. (Roberto Massei)
"O indivíduo deve ser capaz de refletir sobre o escrito, permitido-se fazer uma relação entre o real, o ideal e a fantasia, tirando suas próprias conclusões, criando novos conceitos de ver e sentir a realidade".
"Entretanto, a concepção de educação, predominante, visa moldá-la exclusivamente para a produção, isto é, age como formadora de mão-de-obra "qualificada". A classe dominante vê a educação e a cultura, portanto, como uma questão de mercado. É possível desenvolver o senso crítico sob o império da filosofia do progresso?" (Roberto Massei)
“A modernidade transformou o homem em um ser insensível e sem memória; desproveu-o, inclusive, da capacidade de ter uma preocupação com ela. Na Era da Informação o receptor da comunicação de massa é, na verdade, um ser desmemoriado. Recebe um excesso de informações que saturam sua forma de conhecer o mundo; incham-no, pois não há lenta mastigação e assimilação daquilo que é transmitido pela mídia”. (Roberto Massei)
"O indivíduo deve ser capaz de refletir sobre o escrito, permitido-se fazer uma relação entre o real, o ideal e a fantasia, tirando suas próprias conclusões, criando novos conceitos de ver e sentir a realidade".
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